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sexta-feira, 11 de julho de 2008

Abaixo o hábito de ler

Por Solange Pereira Pinto (escritora, professora e arte-educadora)


A escola da minha filha tem um programa de leitura chamado ciranda do livro. O objetivo é que cada criança pegue uma obra para ler no fim de semana e faça, na apostila encadernada em espiral, uma atividade pré-determinada (desenhar uma passagem, escolher um personagem favorito, ilustrar a idéia principal, fazer um breve resumo etc.).

Imagino que nem todos os alunos façam a tarefa de bom grado. No início a escola tentou uma competição: a criança que pegasse mais livros na biblioteca ganharia um prêmio ao término do período X. Minha filha logo chiou: “mamãe, assim não vale. Tá muito chata essa história de quem lê mais. Tem gente que só pega livrinho fininho e com muita figura pra ler rápido e pegar outro. Eu que escolhi pelo título, por que achei interessante a história, vou perder. O meu livro é muito mais grosso que os outros!”, choramingou.

Tinha ela razão. Vencer a competição era o objetivo das crianças sob o pretexto da escola de formar o hábito da leitura e quiçá cidadãos do futuro. Nesse meio tempo, crítica daqui, chororô acolá, ficou difícil para a professora lidar com a manobra “pedagógica”, deslindada pela pequena estudante.


O projeto competitivo saiu de cena e a apostila em espiral continuou seu trajeto, às sextas-feiras, mochila adentro; só que agora sem a pressão de se ser o primeiro lugar no ranking de “leituras lidas”. Algumas crianças ficaram aliviadas. Alguns pais também. Ufa!

Chegado o dia de mais uma escolha, minha menina, que se chama Ana (Luísa) optou por pegar um livro chamado Ana e Ana, segundo as palavras dela “achei pela capa que podia ser interessante”. E era. Aliás, é!

O livro de Célia Godoy, ilustrado divinamente por Fé, narra a história das gêmeas Ana Carolina e Ana Beatriz, que idênticas na aparência tentavam se distinguir por cores, roupas, adereços, ainda que “por dentro” fossem bem diferentes nos gostos e afinidades com o mundo. Cresceram e cada uma tomou um rumo, até que...

Até que eu parei para pensar se a leitura é um “hábito-ato” possível de se formar em alguém. Sendo professora há algum tempo e exatamente na área de produção de textos, leitura e interpretação, recordei das principais dificuldades e justificativas dos meus alunos quando perguntados sobre o tal, difundido, alardeado: hábito de ler!

Em geral, se apontam desconcentração, sono, preguiça, falta de exemplos familiares, ausência de livros em casa, dificuldade de entendimento, cansaço, visão embaralhada, e, principalmente, falta de tempo! Questionados sobre este último item, respondem: “ah, professora tem muita coisa melhor a fazer do que ler, como ver TV, praticar esportes, sexo, passear, navegar pela internet...”.

“– Mas céus! Vocês não gostam de ler nada?”, re-interrogo.
“– Também não é assim. A gente lê sobre o que gosta ou sobre o que precisa”.

Se tempo é uma questão de prioridade, e nele a gente ocupa primeiro o que dá prazer ou necessita, aonde entra o esforço pedagógico de formar o hábito de ler? Creio que na vala comum.

Diz o companheiro Houaiss que hábito é “maneira usual de ser, fazer, sentir, individual ou coletivamente; costume, regra, modo, maneira permanente ou freqüente, regular ou esperada de agir, sentir, comportar-se; mania”.

Ora, formar o hábito de ler para quê?

Em certa medida, quem tem uma formação escolar considerada razoável (sei lá o que isso significa) lê o que lhe atrai. Jornais, almanaques, cadernos de esporte, revistas semanais, publicações de fofocas etc, estão pelas esquinas e bem amassadas, indicando que mãos e olhos passaram por ali.

E daí?

Nada!

O hábito de ler, melhor formulando, a prática de ler não significa em essência nada. O costume de ler pode ser um desábito de adquirir conhecimento. Entrar no piloto automático da leitura não traz por si só transformação.

Se ler é um dos caminhos para se chegar ao conhecimento de determinado fenômeno, idéia, verdade, ler por ler é no máximo chegar à aquisição de dados brutos e informações superficiais, massificadas, deglutidas por seus autores para todos.

Hoje deveríamos por em pauta, conclamar, não o desgastado hábito de ler, mas sim o hábito de pensar, o hábito de querer saber, o hábito de ser curioso. Se os próprios considerados – pelos professores – não-leitores admitem ler o que lhes interessa, óbvio seria despertar antes a vontade de conhecer. Ler, por hábito, deveria deixar de ser regra de conduta apregoada pelas escolas. Transformar o pensamento e ampliá-lo por desejo, deveria ser a etiqueta.

Ler é mera conseqüência. A causa é querer sair do lugar-comum, voar sem tirar o pé do chão, pensar para existir... Meu hábito maior é “Ser” e por isso eu leio muito. Dessa forma, vou me desabituando de mim para me habituar às minhas releituras...





(Tirinha criada especialmente para este texto por minha amiga Creisi - veja outras tirinhas aqui)

quinta-feira, 10 de julho de 2008

V Simpósio Internacional de Estudos Gêneros Textuais - SIGET

O Siget é um evento que congrega pesquisadores, professores e profissionais envolvidos no estudo dos gêneros textuais. Devido ao caráter interdisciplinar do objeto de estudo (gêneros textuais), o evento tem interessado pesquisadores de diversos ramos da lingüística teórica e aplicada (analistas de discurso, estudiosos do texto, da conversação, da enunciação, formadores de professores), bem como profissionais e pesquisadores de outros campos (pedagogia, psicologia, sociologia, comunicação, terminologia, tradução, etc.).


Temas
Gêneros textuais: perspectivas epistemológicas e metodológicas
Gêneros textuais e ensino de línguas
Gêneros textuais e formação de professores
Gêneros textuais e instâncias profissionais
Gêneros textuais e letramento
Gêneros textuais e mídia

Estrutura
Palestras*
Mesas-redondas*
Painéis*
Minicursos*
Comunicações coordenadas
Comunicações individuais
Pôsteres
Atividades culturais

* A nominata dos convidados para essas modalidades será divulgada a posteriori.

Realização
Universidade de Caxias do Sul – UCS de 11 a 14 de agosto de 2009.




Público-Alvo
Pesquisadores do ramo da lingüística (analistas de discurso, lingüistas aplicados, estudiosos do texto, da conversação, da enunciação etc);
Profissionais e pesquisadores de outros campos (pedagogia, psicologia, sociologia, comunicação etc).
Professores da educação básica, alunos de pós-graduação e alunos de graduação

Carga Horária
40 horas

Local
Universidade de Caxias do Sul
Caxias do Sul, Rio Grande do Sul, Brasil



Fonte aqui

Universitários atenção!



A famosa cervejinha no fim da aula, ou no intervalo, melhor dizendo DURANTE algumas disciplinas, foi quase abandonada pela nova lei do trânsito e suas punições severas (com toda razão).
Como empresário que é bom não dorme no ponto, já surgiu em Brasília a "Escolta amiga". Foi para o boteco e bebeu? Chame a equipe de "socorro".
Não se esqueça: beba com moderação e estude com afinco para ser um profissional especializado em outro destino!

Dicas imperdíveis!


O site Link Zero foi criado para reunir oportunidades de emprego para jornalistas. Mas traz também dicas de oficinas, cursos e workshops na área de comunicação.
Criado por Alexandre Sena, 33, jornalista (e bom marketeiro de si mesmo) que trabalha com produção de conteúdo para internet, o site traz notas de todo o Brasil.
Provavelmente alimentado por empresas e dicas de outros internautas, serve como um “grande classificados” na área do jornalismo.
Além do site, Sena faz sua propaganda pelo Twitter.
Vale à pena conferir.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Biblioteca portuguesa on-line

Coimbra: Biblioteca da Universidade de Coimbra e Google assinam acordo pioneiro em Portugal


Coimbra, 08 Jul (Lusa)- A Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (BGUC) é a primeira do país a aderir ao sistema de pesquisa de livros do Google, disponibilizando 600 obras no âmbito de uma parceria com a empresa norte-americana. Leia mais...



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Pós-graduação em Língua Portuguesa


Crônica: Professores (e Professauros...)




por Nilton Carlos da Silva Brasil


Mais um ano vai se iniciar... E aproveitando essa oportunidade, vamos voltar a um tema bem “Pré-Histórico....... O que este título vem a sugerir? Qual a relação existente entre o professor e o simpático dinossauro?



Os dinossauros são espécies extremamente simpáticas, principalmente para as crianças. Os meninos os adoram. Dinossauros eram criaturas de outros tempos, de diferentes alturas e comprimento. Fazendo uma comparação dos dinossauros com os professores, chegamos a conclusão que ainda existem professores de outros tempos pelas nossas salas de aula. Pior ainda é ver que muito deles estão se preparando para serem este tipo de professor. Mas voltando ao assunto, existem uns grandes, outros pequenos, que se identificam pela dificuldade de incorporar os novos tempos, não querem mudar pois olham a criança de hoje com os mesmos olhos da criança de antigamente.

Segundo o professor Celso Antunes, existem algumas diferenças bem acentuadas entre o professor e o professauro. O início do ano letivo é uma oportunidade ímpar de aprender a crescer, um momento mágico de revisão crítica e decisões corajosas; para os professauros, o angustiante retorno a uma rotina odiosa, o eterno repetir amanhã tudo quanto de certo e de errado se fez ontem.

A acolhida aos alunos, para os professores, significa a alegria de percebê-los e são efetivos protagonistas das aulas que ministrarão. A certeza de não os ensinarem, mas de poder contribuir de forma decisiva para iluminar suas inteligências e afiar suas competências. Para os professauros, nada mais que chatíssimos clientes transformados em espectadores pensarão sempre mais na disciplina que na aprendizagem, mais na vagabundice que no crescimento interior (ANTUNES, Celso, 14, Professores e Professauros, Editora Vozes, 2007).

Assim, infelizmente, para todos nós, esta espécie de professor está cada vez mais raro. Os Professores rudes, que não se especializam, os professores autoritários e muitas vezes Ditadores da pior espécie, também fazem parte das nossas vidas. Os professauros, assim como os dinossauros, sempre nos causam pânico: com seus terríveis trabalhos, suas terríveis provas e seu terrível autoritarismo. Estes professores gostam de mostrar para seus alunos que não são apenas "UM" professor, mas sim "O" professor. São dotados de frases de efeito bem ao tipo "Sou eu quem ensina. Você está aqui apenas para aprender".

Numa infindável pesquisa, citaremos nas próximas linhas, alguns exemplos de professauros, que agora sim, felizmente, estão em extinção, apesar de ainda teimarem em andar pelos corredores das escolas. Assim, para ser humorístico como também explicativo, vamos citar aqui alguns exemplos de professauros, veja se você reconhece alguns deles:

O "TIRANOSSAURO REX" – Uma criatura de porte bem avantajado e corpulento. É o professor que acaba com tudo o que encontra pela frente. Vai chegando devagar e como quem não quer nada quando, de repente, ZAP!! Destrói tudo a sua frente (da sala de aula até a equipe pedagógica inteira). Animal de vida longa – esse tipo de professauro, com toda a sua “longevidade e experiência”, se torna um alvo difícil de ser abatido.

O "PREDATON II" - Outro carnívoro e destruidor comparável ao Tiranossauro. De tendência predatória e individualista, é o maior exemplo de profissional que não precisamos nas escolas e universidades. Este tipo de professauro chega na sala, aplica sua aula, vai para casa e cumpre sua tarefa com precisão cirúrgica. Porém, é aconselhável que se evite assuntos como "espírito de equipe" e "companheirismo" pois a tendência dessa criatura é não se importar com nada. “UM VERDADEIRO DITADOR”. A princípio, ninguém tem nada com ele. Tem fama de rigoroso por cumprir o básico de forma bem séria, com total cumprimento de prazo e metas. Só que fica o alerta: Rigor é uma coisa que, às vezes, é muito bem vindo. Agora falta de interesse é outra, e bem prejudicial.

O "PTEROSSAURO" - Esse tipo de professauro possui a característica de ser dotado de asas. Assustador e que pode "voar" grandes distâncias. É o que hoje chamaríamos de "exibidão". Sempre espalhando seus feitos (não importa se verdadeiros) para atrair novas presas e conquistar a simpatia dos alunos (O FALSO DITADOR, OU O DITADOR FALSO). Uma de suas características é a simpatia. Desse modo, consegue disfarçar muito bem o fato que de exibe muito e faz pouco.

O "CINODONTE" – Esse até que seria um excelente profissional se a sua especialização não fosse seu apurado instinto de sobrevivência. Esse professauro é daqueles que faz tudo para sobreviver no local onde ele ensina, ou seja, arranja mil e um planos para sobreviver no emprego em vez de desenvolver sua própria competência e vocação. Esse professauro se especializa na arte de "puxar o tapete" e sabotar os outros (BEM PROPÍCIO EM NOSSA REALIDADE). Algo bem triste, visto que essa energia desperdiçada na elaboração de seus "planos infalíveis" poderia ser bem aproveitada em melhorias para o seu meio de Ensino.

---x---
OBS:
Eu poderia continuar citando ainda outros modelos em estado de extinção. Mas uma coisa é certa: Que nós, os alunos, e futuros professores, devemos saber é que eles estão entrando em extinção. Serão poucos desses professores que irão existir se nós, os estudantes, sempre mantivermos nossas cabeças pensantes e abertas às diversas formas de aprendizagem. E que devemos acabar com essa velha frase formada: "O professor finge que ensina e o aluno finge que aprende".

E um PS para você professor que pode eventualmente estar lendo este texto: Se você se identificou com alguns dos tipos citados acima ou apresentar alguns dos sintomas descritos: Mude enquanto há tempo. Pois, já dizia Darwin: “O que sobrevive não é o maior nem o mais forte, mas os que conseguem melhor se adaptar ao meio”.


Fonte: Ser universitário


(professor de História, Pedagogo e Psicopedagogo) - UNIFEOB

Amor universitário...

domingo, 6 de julho de 2008

TV a serviço da educação




Você sabia que a TV Globo tem um programa chamado Globo Universidade criado com o objetivo de proporcionar a troca de experiências e informações entre universidades do Brasil e do mundo?


Exibido aos sábados, às 7h15, na Globo, mostra as inovações que acontecem nos campi levando ao ar reportagens sobre ensino, pesquisas e projetos científicos realizados no meio acadêmico. O programa é, também, reprisado aos sábados na Globo News, às 13h05, e às quartas-feiras no canal Futura, às 16h30. As edições também estão disponíveis na íntegra no site do Globo Universidade.
Assista ao programa de hoje que fala sobre a potencialidade das novas tecnologias na produção e distribuição de jornalismo no mundo inteiro, um dos muitos objetos de estudo do Centro de Ciberpesquisa da Universidade Federal da Bahia - UFBA .

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Contra o trote violento vale prêmio


por José Pedro e Ana Lupso

Quem chegou até a universidade sabe que o trote é uma ação mais equivocada do que acertada quando se trata de tentar uma "interação" entre calouros e veteranos. Para ilustrar essa "manobra radical" de uns desavisados, o designer Danilo Minorello criou esta imagem apresentando um kit contra trote violento e foi o segundo colocado em um concurso promovido pela Unesp. Parabéns aos organizadores e aos participantes desta luta contra mais um dos tipos de agressões gratuitas.